Tuesday, January 14, 2014 Sunday, August 4, 2013

Como o senhor vê o ensino da língua nas escolas?

Sou de uma época em que se ensinava Língua Portuguesa em todas suas manifestações, tanto na aula de gramática quanto na prática da leitura em voz alta. Hoje você pede a um rapaz que tenha concluído os dois níveis da escola, o fundamental e o médio, que leia um texto, ele não sabe ler em voz alta ou dar a entonação necessária. As salas de aula são formadas por um grande número de alunos, que por vezes são mal educados, postura que prejudica o trabalho tranquilo e fundamental do professor. Por outro lado, o salário de antigamente do docente não era tão melhor do queo de hoje, mas o professor tinha uma projeção social, o que não acontece mais.

Como devemos entender o conceito de erro aplicado ao ensino da língua? Começando pela diferença entre o linguista e o professor, dois profissionais fundamentais nesseprocesso. A linguística é ensinada na universidade e esse profissional quer dar a última palavra e criticar o trabalho do professor na sala de aula, mas na verdade os dois têm objetos e objetivos diferentes, porque o linguista trabalha com todas as variedades, não está preocupado com o certo ou errado e sim em entender como a língua funciona no seu habitat. Jáo professor é aquele que recebe o aluno com o material linguístico aprendido em casa e vai aperfeiçoá-lo para quepossa atingir uma posição na sociedade. Educar significa “conduzir para fora”, “educar para fora”. Nesse sentido, o linguista que acha que o professor não deve interferir na língua que o aluno traz de casa está dizendo uma meia verdade, porque essa bagagem pessoal é suficiente para sua intercomunicação, mas não pode ser considerada a língua que a sociedade vai exigir de um jovem no mercado de trabalho, por exemplo. Em resumo, antigamente, para ser professor, não havia faculdade específica. Era um médico que vinha das Ciências, da Química ou um padre que ministrava aula de línguas. Um homem que não tinha uma formação técnica suficiente, mas tinha cultura geral. Hoje, o professor que sai da universidade tem cultura específica linguística e aprende que todas as variedades linguísticas são válidas e estão corretas. Não é um problema de certo ou errado, mas sim de adequação e inadequação, de adaptação aos níveis linguísticos e às situações.

É válido pensar a opção pelo uso da gramática normativa como uma maneira de apartar socialmente quem desconhece a língua?

Essa é uma questão ideológica, porque realmente existe uma lacuna social que separa as pessoas,e a função da escola é diminuir a desigualdade; por isso, é imprescindível que ela seja de bom nível, a fim de evitar a política de cotas, que, em minha opinião, é o sinal da falência do ensino de qualidade. Infelizmente, a ideia aparentemente democrática de respeitar os outros significa a continuidade do não aprendizado.

Revista e - Entrevista - Evanildo Bechara
Friday, July 13, 2012 Friday, February 3, 2012 Tuesday, December 20, 2011 Friday, September 2, 2011

Se você analisar eles [Veja, imprensa] fracassaram na questão da separação da Dilma, de dividir a base dela, entendeu? De tirar o PMDB e o PR da base. E para piorar, para eles, o PV acabou decidindo apoiar a Dilma. Além de o Fernando Henrique e o Aécio terem feito este gesto de estender a mão, sem entrar no mérito da divisão do PSDB, com o Álvaro Dias e o Serra se posicionando contra.

O resultado final disso tudo é que a estratégia de rachar a base do governo não deu certo.

(sem julgar o mérito) José Dirceu em entrevista à Revista Fórum
Tuesday, June 28, 2011

Acho complicado essa história de Twitter pessoal/profissional. Já levei bronca por postar uma amenidade sobre meu ambiente de trabalho por exemplo (um erro, de fato), mas não concordo com as restrições que as empresas fazem em relação ao nosso uso pessoal das redes sociais. Está mais que na hora de admitirmos todos, como uma classe, que nós jornalistas temos sim opiniões, mas isso não interfere no nosso trabalho.

A imprensa brasileira tem uma cultura de se fingir imparcial quando isso não é verdade. O Estadão deu o primeiro passo com um editorial defendendo a candidatura de Serra nas eleições ano passado, prática já comum em outros países. Está na hora de estendermos isso aos jornalistas.

No Twitter, não falo o que comi no dia, mas comento notícias e desabafo como consumidora, defendo minhas posições políticas. Acho mais transparente do que fingir que não às tenho. Quem sabe essa não é a melhor forma de explicitar os limites entre vida pessoal e profissional?

Muitas vezes me parece que esse discurso de que esse limite está se desfazendo é apenas um bom argumento para as empresas aumentarem ainda mais seu controle sobre as nossas vidas, da mesma forma que a internet já extrapolou a máxima de que jornalista é jornalista 24h (e agora nem pagam hora extra mais).

Ou talvez isso seja apenas revolta de Geração Y mimada da minha parte. O que acham as gerações mais antigas?

Sunday, January 9, 2011

Opostos que não se atraem

Por que no Brasil a questão Battisti, que mal nos diz respeito, assume significados tão diferentes dos que tem na Itália?

Devemos despartidarizar o caso Battisti. Na Itália, dos fascistas que apoiam o Berlusconi até os ex-comunistas, todos querem sua extradição. Já no Brasil, quando o ministro Tarso Genro lhe concedeu asilo, a primeira reação da revista Veja – que não é um órgão de esquerda–foi favorável à decisão (depois, mudou de ideia). Já a Carta Capital, que se situa à esquerda e apoiou o governo Lula, contesta, com bons artigos, o asilo concedido. Nós, brasileiros, estamos divididos neste caso, mas nossa divisão não opõe direita e esquerda, governo e oposição.

De todo modo, não cabe aproximar a situação italiana da brasileira, nem30 anos atrás, nem hoje. Aliás, o que me preocupa é: por que no Brasil a questão Battisti, que mal nos diz respeito, assume significados tão diferentes dos que tem na Itália? Aqui, tivemos uma ditadura que ninguém elegeu e nos legouuma economia em crise, inflação altíssima e uma dívida externa e social das mais elevadas no mundo. Contra ela, muitos se bateram, de distintas formas. Este jornal a criticou e sofreu longa censura, sem recuar em seus valores liberais. Oposicionistas pacíficos foram assassinados, como Rubens Paiva, cujo filho Marcelo escreve nestas páginas. A hoje presidente Dilma se insurgiu mais radicalmente, mas sempre contra o mesmo regime ilegítimo. Aqui, a opressão e a ilegitimidade marcavam o governo. Já na Itália, o governo era legal e também legítimo. O terror italiano foi ilegal e ilegítimo.

Comparar quem hoje está em nosso governo aos terroristas italianos carece assim de base, no passado, porque em 1970 os governantes da Itália eram eleitos e os do Brasil, não. Mas também carece de base no presente. A presidente Dilma propôs em seus discursos de campanha, e novamente no de posse, uma sociedade de classe média. A ideia de justiça para o governo atual é a de uma sociedade em que a classe média se amplie. Não há nada menos marxista, menos leninista, do que esse tipo de sociedade: uma sociedade de classes, mas na qual a desigualdade é reduzida. Não há nada menos terrorista do que isso – porque a classe média, em condições normais, quer a prosa e não a épica, a banalidade e não o heroísmo, o consumo e não a destruição.

Não pretendo discutir a culpa ou não de Battisti – assunto sobre o qual muito se escreveu, muito li, mas que não tenho condições de julgar. Apenas lembro que uma das grandes contribuições da América Latina ao mundo foi o valor do asilo político, que salvou muitas vidas. Os crimes de que Battisti é acusado são políticos. O que soa estranho, no caso, é que seu grupo não lutava contra uma ditadura, mas contra uma democracia, tal como hoje, na Colômbia, as Farc e os paramilitares. Não posso admirar quem toma armas contra uma democracia. Mesmo imperfeita, ela é superior à ditadura – e a democracia só melhora commais, não com menos, democracia. Mas resta que os crimes foram políticos enão é trivial distinguir o crime político extraditável do não extraditável.

A exceção que permitiria extraditar criminosos políticos valeria quando fossem, na verdade, crimes contra a humanidade. Esse conceito se apurou durante a 2ª Guerra Mundial, travada contra líderes esmerados em sua maldade. Para puni-los, a segunda metade do século 20 construiu duas estratégias inéditas, mas sucessivas e opostas. A primeira foi seguida em Nuremberg e em Tóquio contra as potências derrotadas do Eixo fascista e depois, na Argentina, contra uma das piores ditaduras da América do Sul: foi julgar os autores de crimes hediondos contra a humanidade. Mas só valeu no começo, porque a maior parte das ditaduras da América Latina nem sequer foi a juízo.

A segunda estratégia foi criada por Nelson Mandela e Desmond Tutu na África do Sul: consistiuem abrir espaço para a verdade como meio para a reconciliação. Dizer toda a verdade sobre os crimes, sobretudo os do apartheid, mas tambémos do outro lado, foi condição para o perdão recíproco. Assim a África do Sul conseguiu resultados melhores do que a Argélia, que, nas semanas após sua (merecida) independência da França, massacrou numerosos colaboradores árabes da potência colonial, deixando o país em frangalhos e expulsando a mão de obra europeia que poderia ajudar a construção do novo Estado, ainda que essamão de obra estivesse manchada pelos crimes do passado.

O modelo sul-africano é omelhor que temos. Por isso, surpreende que pessoas favoráveis à extradição de Battisti, afinal de contas apenas um possível terrorista numa luta contra seu governo, se oponhamà apuração da verdade em nossa ditadura militar. Apuração essa que só pode visar, na lição do arcebispo Tutu, à reconciliação. Nenhum país ganha escondendo sua história e, em especial, suas páginas sujas. A melhor reconciliação se baseia no reconhecimento de que as pessoas que mandaram ilegitimamente no Estado brasileiro cometeram crimes, e quais foram. O que quer que achemos da remota e pequena história de Battisti, não podemos deixar de encarar esta nódoa que, ela sim, pertence a nossa história.

RENATO JANINE RIBEIRO É PROFESSOR TITULAR DE ÉTICA E FILOSOFIA POLÍTICA DA USP

(Publicado no caderno Aliás do Estadão de 09/01/11)

Sunday, December 5, 2010

On Wikileaks impact and perceived brazilian anti-americanism…

Com a palavra, o cientista político americano Riordan Roett, especialista em América Latina e autor de The New Brazil:

O ex-embaixador Clifford Sobel foi uma indicação política para o cargo, não sabia falar português, ficou no Brasil dois anos e não conheceu o País. Tenho vindo ao Brasil desde 1962 e desde então me deparo com antiamericanismos, seja em nível pessoal ou ideológico, mas isso não chega a ser uma grande ocorrência na política externa brasileira. Apenas que os EUA são hoje menos importantes para o Brasil, que persegue uma diplomacia Sul-Sul - compromisso reforçado na sexta-feira pelo Itamaraty com o reconhecimento do Estado palestino. Os EUA ainda não entendem que o Brasil é um ator global cada vez mais forte e não vai mais seguir a liderança americana da maneira que fazia nos governos de Getúlio Vargas (1930-1945) ou de Castello Branco (1964-1967). Lá atrás havia uma relação assimétrica. Esses dias passaram e o meu país deve entender que o mundo está diferente. Estamos em declínio, enquanto o Brasil, ao lado de Índia e China, está ascendendo. China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil, seguido da Argentina, e só então vêm os EUA. Washington terá que se adaptar.

(…)

existe uma preocupação sobre relações mais amistosas entre o Brasil e a França, no que foi chamado de um “caso de amor” pelo embaixador americano em Paris. A França persegue uma estratégia com o Brasil diferente daquela dos EUA, pois combina diplomacia com relações comerciais.

(…)

Para o governo americano, seja ele republicano ou democrata, todos os países abaixo do México são incompreensíveis. Pensam que o Chile deve ser igual ao Brasil e Paraguai e Uruguai sejam a mesma coisa. “Onde fica a Argentina mesmo?” Infelizmente, Washington gostaria que o Brasil fosse um guarda de trânsito para facilitar suas relações com a América Latina. Alguém que sinalizasse como agir e controlasse as coisas para os americanos. O Brasil nunca fará isso. Tem interesses próprios na região e já mostrou claramente que respeita a soberania dos vizinhos. A posição brasileira de fortalecer a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) é uma tentativa de manter Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa numa mesma tenda, onde o diálogo seja possível. O que o Brasil não quer é conflito. Lembro-me de quando houve um problema com a Bolívia, e o presidente Evo Morales nacionalizou o petróleo. Lula ligou para Evo, convidou-o a ir a Brasília e resolveram a questão. Quando houve atrito em Itaipu, o presidente paraguaio, Fernando Lugo, também foi chamado e fez-se um acerto. É assim que o Brasil opera.

(…)

Perdi a conta das tantas vezes que abri um jornal americano para ler que “a nova presidente do Brasil é uma ex-guerrilheira”. Nunca li isso em Paris. Os europeus simplesmente não se referem a Dilma nesses termos. Recebi de um grupo direitista americano a ficha de Dilma quando foi presa pela ditadura militar. Quão ridículo é isso? Nós todos éramos diferentes na década de 60. Infelizmente, os conservadores do Congresso americano, agora mais poderosos depois das eleições, compraram a ideia de que o Brasil seja agora uma nova Venezuela. Mas a Casa Branca não pensa assim.

(…)

P.: O interesse do Brasil por um assento no Conselho de Segurança foi citado como ‘obsessão’ pelo representante da missão americana aqui. Em visita à Índia, Obama disse apoiar aspirações semelhantes daquele país. Deveria fazer o mesmo com o Brasil?
R.: A relação dos EUA com a Índia é estratégica por causa da situação instável no Paquistão, Afeganistão e China. Por isso, a atitude de Obama. Na América Latina, são poucas as situações de fato preocupantes para a Casa Branca. É difícil para os brasileiros entenderem que, por bem ou por mal, o Brasil não é ameaça para ninguém.

(…)

A secretária de Estado Hillary Clinton, por sua vez, fez um discurso no mês passado no Conselho de Relações Exteriores em que falou das importantes alianças e citou Rússia, Índia e China, três membros do Bric. Não mencionou o Brasil. Esse é o tipo de coisa que Washington não deveria fazer. A demora de dez meses para instalar no Brasil o embaixador Shannon foi também uma atitude ridícula.

(…)

Washington não entende que o Brasil não seja um país ideológico. É um país para onde todo mundo migra. Em muitos aspectos, o Brasil é mais um caldeirão racial do que os EUA, que gostam de se pensar como o grande caldeirão do mundo, o que de fato fomos, há cem anos.

(Source: estadao.com.br)

Wednesday, December 1, 2010
solipsism:

Well, enjoy your summer while it lasts. We’ll be the laughing ones in June and July.
 Yeah, actually we won’t because there’s still no beach and it’s overcast and rainy most of the time anyway.

*à la Nelson Muntz* Haha!
Actually, for what it’s worth, there’s no beach most of the time here either. It’s just boiling hot weather in the middle of a concrete jungle with a couple of daily rainstorms fucking up the traffic…

solipsism:

Well, enjoy your summer while it lasts. We’ll be the laughing ones in June and July.


Yeah, actually we won’t because there’s still no beach and it’s overcast and rainy most of the time anyway.

*à la Nelson Muntz* Haha!

Actually, for what it’s worth, there’s no beach most of the time here either. It’s just boiling hot weather in the middle of a concrete jungle with a couple of daily rainstorms fucking up the traffic…