Monday, August 5, 2013
A política dos poderes estaduais e municipais, que são os responsáveis pelo ensino básico, continuou subestimando a questão da valorização efetiva, e não só retórica, do professorado. Atribuiu-se equivocadamente o insucesso escolar a problemas de saúde do aluno pobre ou à “carência cultural” de suas famílias. Ou, então, especialistas em pedagogia davam excessiva importância ao uso deste ou daquele método de alfabetização, deste ou daquele sistema de ensino de matérias fundamentais como a matemática, a história, as ciências. Eram fatores relativamente importantes, mas desviavam a atenção para o que é essencial. O punctum dolens era e ainda é o desestímulo sofrido pelo professor pelo excesso de trabalho, quase sempre em mais de uma escola, e pela angustiante falta de tempo para preparar suas aulas e acompanhar de perto o aproveitamento dos alunos. A distribuição de kits, livros, computadores e material escolar não deve substituir uma política corajosa de elevação salarial e valorização social do professor. As coisas por si sós não movem o processo educacional: o centro vivo são as pessoas, sua vontade cidadã de contribuir para o desenvolvimento intelectual e moral do jovem aluno.

Alfredo Bosi, Professor na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

Proletários do giz - Entrevista no caderno Aliás do Estadão, 04/08/2013

Saturday, June 29, 2013

Mais sobre a relação entre protestos e vandalismo:

Eugênio Bucci começou bem, apesar de sentir a necessidade de condenar o vandalismo a cada 5 linhas:

Há algo além de arruaça gratuita no vandalismo desgovernado. Também aí existem signos em enfrentamento, e esses signos podem nos mostrar um pouco mais do que está em jogo.

O alvo das explosões de violência são instalações que representam o poder, são os símbolos da ordem posta: as sedes do Executivo, os ônibus urbanos, os capacetes da Tropa de Choque. Ao que o leitor se há de perguntar: “Mas, e os automóveis das emissoras de TV, que também são vítimas da selvageria, são do mesmo modo signos do poder?”.

Pô Bucci, sério? Um cara como você que estudou a mídia sua vida inteira, não reconhece isso? Como bem disse Marcelo Coelho mais cedo essa semana

A “crise de representação” que se verifica no caso de partidos e Congresso se reflete nas relações entre imprensa e cidadãos.

Depois desse deslize, ele ainda consegue levantar um ponto importante:

Para começar, não idealizemos, não mistifiquemos o caráter pacífico de um levante popular dessas proporções. Ele é, sim, pacífico, mas não vem vacinado contra desvios de indisciplina e de agressividade. Se até em jogos de futebol as torcidas - quando não os próprios atletas - saem de controle e partem para a pancadaria, não haveria por que ser diferente com as manifestações de massa. O que chama a atenção, agora, é que os vândalos das passeatas, diferentemente dos vândalos dos estádios, não desferem agressões a esmo, em torcidas rivais diversificadas. Têm clareza total, ou quase total, sobre quem é o inimigo: o governo, as autoridades, o poder. Sejam pacíficos, sejam violentos, sejam calmos, sejam enfurecidos, os que protestam nas ruas sabem muito bem quem querem nocautear. Podem não ter muita unidade quanto às palavras de ordem, podem não ter líderes estáveis, fixos, mas, quanto ao inimigo, são unânimes. Por isso, o sentido (linguístico, semiológico) dessa revolta é eloquente: os signos do poder estão sendo, simbólica e fisicamente, engrouvinhados, pisoteados, estilhaçados pelos protestos.

Há vândalos nas ruas? Milhares. Os que assaltam lojas de eletrônicos na ressaca das manifestações são vândalos meliantes. Os policiais que atiram em gente quieta e indefesa são vândalos fardados. Os que aceleram suas SUVs caríssimas contra manifestantes que pedem melhor transporte público são vândalos letais. Mas os mais nefastos, os mais mortíferos entre todos os vândalos agem longe das ruas. Usam terno e gravata. Respiram ar-condicionado. Roubam sonhos, direitos e dinheiro dos trabalhadores. Subornam os movimentos sociais. Depredam a autoestima da Nação. Humilham a gente. Depois, sorriem engomados e fazem anúncios mirabolantes, como se não fossem os responsáveis pelo derretimento dos signos do poder.

Só mais um ressalva: muito fácil apontar pro engomado de terno e gravata. Difícil é se reconhecer nele. E isso também é preciso.

Friday, July 13, 2012 Thursday, May 24, 2012

Mobile is going to crush Facebook - and most everything else if they keep going as they are

From The Huffington Post:

The logic for Facebook’s price decline is that they have a problem in mobile. They can’t offer all the games they can in a browser. They can’t offer the same ads or branding opportunities. All true.

From the Wall Street Journal :

As more people gravitate to smartphones and tablets, they’re increasingly forgoing the desktop to the access the Web. Between 2008 and 2011, the percentage of U.S. adults who accessed the Internet from PCs daily grew to 62 percent from 54 percent. In the same period, the percentage of daily mobile Internet users rocketed to 26 percent from 4 percent, according to Forrester Research.


“People see this modality of consumption shifting from the PC to mobile,” said Matt Murphy, a venture capitalist at Kleiner Perkins Caufield & Byers. “On top of that, mobile feels like it’s much more the kind of wide open that anybody can win kind of arena.”

All true as well.

However the same is absolutely true for every ad driven internet site. They face limitations in what they can offer on mobile vs what they can offer through a PC browser. Look at the Google search results on mobile. No where near the number of results. Thats fewer click and CPM opportunities and zero display ad opportunities. Of course Google has Android, but that still isn’t generating much , if any revenue for them and it isnt currently designed to.

And then lets not forget YouTube. Everyone is supposed to be dumping TV and heading to video right ? Well, how can that be if most online consumption is headed to mobile ? With so few mobile users having unlimited data plans, and that number most likely declining, then what is YouTube going to do when users start complaining and going nuts over the fact that they are having to pay for the data they use to watch YouTube mobile ads ? How many YouTube ads have you seen on a mobile device lately ?

Which leads to a much broader question. Just what percentage of PC Online usage will mobile displace ? Is it feasible that people will “cut the broadband cord” and live exclusively off of their mobile internet access ? Why not use your mobile as an in home hotspot rather than paying for two internet connections ? If you avoid streaming video and downloads its easy to stay within your caps. Do you know anyone that has cut their broadband access to go exclusively mobile internet ?

Bottom line, if you think mobile will displace online usage from PCs then you should immediately short Google and other ad plays and buy TV stations and networks. If you can’t buy an ad effectively on mobile and no one is using a PC to connect to the internet any more, then the only way to reach an audience is going to be via good old tv. And all that over the top video noise, forgettabout it.

I wonder what Netflix thinks about mobile vs pc online consumption ?

And this mobile-being-the-death-of-you thing is really valid for most other content providers - except video perhaps (for anything longer than 5 min, I’m still not convinced, no matter how large you make your smartphone screen). And yet, news outlets are still incapable of making decent mobile websites - no, I won’t download the app and yes, I’m looking at you @estadao and @valor_economico. And the recording industry is still insisting on individual licensing of desktop and mobile platforms for EACH country, no less - I’m looking at you, @lastfm. No wonder you idiots are losing money (wouldn’t call growing profits losing money, but anyways, let’s play your game). You are making it impossible for paying customers to download and stream your content legally.

Friday, May 4, 2012

Melhor explicação da briga de frequências do 4G que já li até agora:

Quanto mais alta a frequência menor é a cobertura de uma antena e maior será a capacidade de transmitir dados. Assim, a opção pelas faixas de 2,5 GHz e 450 MHz se explica pela intenção de atender os grandes centros urbanos (com uma demanda muito grande por dados) e zonas rurais (grandes áreas, menos habitadas).

Diferente desse padrão é a faixa de 700 MHz, adotada principalmente pelos Estados Unidos, e apontada como o meio-termo mais conveniente para o 4G. Essa diversidade de frequências, no entanto, pode criar problemas, já que celulares e modems são fabricados para atender faixas específicas.

Após anunciar o novo iPad, com conexão 4G, a Apple foi acusada de propaganda enganosa pelos australianos, que não conseguiram fazer a conexão funcionar. O tablet foi feito para atender as frequências de 700 MHz e 2,1 GHz. O detalhe é que, na Austrália, a faixa do 4G é a de 1,8 GHz, porque, assim como no Brasil, lá a faixa de 700 MHz é ocupada pela TV analógica.

A matéria toda tá muito boa: A vez do 4G - Link - Estadão

Tuesday, March 6, 2012
Para o defensor público Carlos Weis, coordenador do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo, o uso que está sendo feito das balas de borracha no Brasil e no mundo viola “descaradamente” o Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, um documento da ONU aprovado pela Assembleia Geral em 17 de dezembro de 1979. “Este código diz que o emprego de armas de fogo é considerado uma medida extrema, elas só devem ser usadas como último recurso quando houver resistência armada do outro lado e, por esse motivo, vidas - não patrimônio - estiverem em perigo”, ele começa. “Eu não acho que dependentes químicos raquíticos da Cracolândia ou jovens pedindo a legalização da maconha na Av. Paulista se enquadrem nesse perfil. E como bala de borracha é lançada por uma espingarda convencional com pólvora e tudo o mais, e não por estilingues, trata-se de arma de fogo.”

Chumbo fino - Vendida como munição não letal, a bala de borracha, se não mata, no mínimo machuca - em vários sentidos

Estadão, 04/03/2012

(Source: estadao.com.br)

Friday, February 3, 2012 Wednesday, December 28, 2011 Tuesday, November 8, 2011
Acho que nem preciso é detalhar o teor dessas mensagens se foi essa a resposta necessária…

Acho que nem preciso é detalhar o teor dessas mensagens se foi essa a resposta necessária…

Saturday, October 8, 2011

Imprensa é perseguida pelo governo, dizem jornais - mas E OS JORNALISTAS?

É sério, eu não estou eximindo culpa de ninguém - nem do governo argentino, nem do brasileiro, nem do venezuelano. Mas eu estou DE SACO CHEIO de ser usada pelos donos dos jornais, e por reacionários defensores de uma suposta “liberdade de imprensa”, pra reclamarem de “censura”. A última é do @estadao de hoje, como sempre: Imprensa argentina é perseguida pelo governo, diz relatório.

Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) sustenta que, embora os jornalistas argentinos “formalmente possam dizer o que pensam, quem faz isso fica exposto à represália e à perseguição”. Nos últimos anos associações jornalísticas reclamaram de grampos telefônicos aos jornalistas, redução drástica (ou eliminação completa) da publicidade oficial aos meios de comunicação não alinhados com a presidente Cristina Kirchner, piquetes de sindicatos aliados do governo nas portas das gráficas dos jornais para impedir a saída de exemplares (com a omissão da Polícia), além de blitze sem justificativas da Afip, a Receita Federal argentina. Organizações sociais vinculadas à presidente realizaram “tribunais populares” com simulacros de julgamentos de jornalistas não alinhados com o governo.

Peraí! Jornalista quase nunca pode dizer o que pensa em qualquer democracia - vide as diversas demissões de jornalistas por terem comentado coisas que não agradaram aos chefes no Twitter pessoal. Quem fala o que pensa, e fala bastante, mesmo com as intimidações do governo (senão nem ficaríamos sabendo) são os jornais.

Agora, as intimidações descritas acima como prova de censura na Argentina são foda. Redução na publicidade?! Vcs acusariam a Odebrecht de censura se eles parassem de financiar o jornal com seus anúncios bilionários? (Mas claro, a Odebrecht nunca faria isso porque vcs estão perfeitamente alinhados com os interesses deles - vai perguntar pra qualquer veículo que denuncia as falcatruas das empreiteiras se eles ganham publicidade da Odebrecht.) Ataques de organizações sociais vinculadas ao governo?! E existe alguma organização social que não concorde com os jornais que não seja considerada pelos jornais como vinculada ao governo? No Brasil, eu conheço muitas que são críticas ferrenhas do governo Lula, mas nas raras vezes que aparecem no jornal são apontadas como “vinculadas ao governo” porque concordam com uma ala minoritária do PT que defende a regulação social da mídia - que nunca foi e provavelmente nunca será implementada nesse país (não se preocupem) por causa do forte lobby dos jornais, mesmo com vários pontos sendo previstos na Constituição.

Agora, Estadão, me conte a história do pesado financiamento que o Clarín obteve do governo argentino quando estava quase falindo. O jornal tem problemas fiscais - mas concordo que uma blitz da Receita, mesmo que justificada, seja intimidação. Mas isso não impediu o Clarín de continuar criticando o governo. Assim como grampos telefônicos, que não precisam vir necessariamente de ordens de cima, ou até de dentro do governo. Como vimos na Inglaterra, quem faz o grampo pode até ser mesmo um jornal!

Mas eu concordo com seu último argumento de uma “perseguição” do governo argentino aos jornais, escondido no final do texto: 

O governo da presidente Cristina Kirchner está retomando os movimentos no Congresso Nacional para, nos próximos meses, aprovar um projeto de lei elaborado no ano passado que declara que a produção, distribuição e comercialização de papel de jornal seja declarado de “interesse público”.

Viu? Eu não sou cri-cri, aceito uma tese com argumentos. Só me faça o favor e tire meu nome disso. Não é o jornalista que está sendo perseguido, é o jornal. Se vc quer falar do jornalista, entrevista o sindicato, não a associação dos jornais.