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Aspas

De cada sete manchetes dos grandes jornais brasileiros ao longo de cada semana, nos últimos dois meses, cinco foram tiradas de declarações. As outras duas se referem a eventos incontornáveis como acidentes e crimes graves, decisões políticas ou judiciais ou, mais raramente, tratam de questões levantadas por institutos de pesquisa. Há poucos registros, nesse período, de reportagens produzidas por meio da investigação jornalística que tenham chegado ao topo das primeiras páginas.

O que isso significa?

Primeiro, pode-se afirmar que o jornalismo apresentado aos leitores dos diários se transformou numa crônica do processo dialético do poder, do qual a imprensa destaca aquilo que lhe parece mais interessante ou conveniente.

Em segundo lugar, deve-se registrar que o jornalismo baseado em frases tende a se afastar da suposta objetividade, que é o fundamento de seu valor social: o jornalismo declaratório é uma confissão de que o interesse dos jornais já não está ancorado no mito da objetividade, mas no propósito do convencimento.

A pauta das fofocas, Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

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tetw:

by Rian Malan

How American music legends made millions from the work of a Zulu tribesman who died a pauper.

This is such a historic piece, its a shame Rolling Stone doesn’t recognize that and hides it behind a paywall…

(Source: tetw)

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Aaaand, carrying on the “truth in journalism” theme and how mainstream media promotes false truths:

Não é a falta de isenção, esse velho mito do jornalismo, que incomoda e desacredita determinados órgãos da imprensa, mas seu farisaísmo.


“It’s not the lack of objectivity, this old myth of journalism, that bothers and undermines the credibility of certain media outlets, but their farsical-ness.”

Segundo o ex-presidente Jimmy Carter, que já monitorou 92 eleições mundo afora, o processo eleitoral na Venezuela é o melhor do mundo. Essa informação, apesar de corriqueira e ainda não desmentida, nunca foi veiculada, nem sequer levada em consideração, pela imprensa conservadora americana, que trata a Venezuela como uma ditadura igual a outros regimes autoritários para os quais, por motivos ideológicos, faz vista grossa.


According to ex-president Jimmy Carter, who has monitored 92 elections all over the world, the electoral process in Venezuela is the best in the world. This piece of information, however common and so far unproved to be wrong, is never mentioned or even taken into consideration by the conservative media in America [editor’s note: just the conservative media?], which treats Venezuela as a dictatorship in the same line as other autocratic regimes that it ignores for ideological reasons.

What I forgot to say in the last post is that not even The Newsroom is free of these false truths that are so often taken for granted in American journalism, especially the naive ones about journalism itself, spoutedad nauseumon CNN commercials.

Disclaimer: we are not necessarily defending Hugo Chávez here, but we are criticizing how “journalistic objectivity” doesn’t apply to him or several other “accepted truths”, such as this assertion heard during the Veep debate by the moderator: “Iran is the greatest threat to U.S. national security.”

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Brilliant analysis that touches on several points, ranging from journalism’s habit to chose the wrong accepted truths and the wrong debates to present both arguments (“the real task, ignored by the anti-“he said/she said” crowd, is to decide which issues are valid debates”), to the fact that the South hasn’t always been inherently Republican (and how the GOP would have NO chance were it not for its racism-driven hold on those Southern states).

Report the debates! Not to declare truths as if bearing them down on stone tablets from Sinai, but to clarify and sharpen the questions, investigate the hidden agendas, the underlying theories, the potential consequences of each side of a contested issue. Without necessarily declaring a winner.

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Really, just about everybody knows this—that the new solid GOP South is a gift from the legacy of racism—but few say it outright anymore, except a scattering of opinion columnists. It’s been “priced in” you might say, taken for granted, or avoided for fear of offense—i.e., telling the truth.
Even The Nation, which recently devoted a cover story to attacking the GOP, focused on the party’s greed (as opposed to the non-greedy groveling to Wall Street by Democrats, of course). The issue did not focus on overt, structural racism as the GOP’s distinguishing—and delegitimizing—sin. 

(…)

In this age of truth in journalism, shouldn’t we make it clear in reporting that this is a neo-racist party that doesn’t deserve false equivalency with the non-racist party?

(…)

Does anyone believe the lie that the display of the slaveholders’ banner [the Confederate Flag] is just about “tradition” and “nostalgia”?

Let me make a comparison some might think inflammatory but I believe is entirely justified.

If a conservative government in the German state of Bavaria decided it was going to allow the flying of the SS death’s-head flag, would we find it a touchingly nostalgic tribute to “tradition”? We would not. And yet, as I’ve said before, slavery was a slow-motion genocide that murdered, over three centuries, as many or more human beings than Hitler did. And after a brief reconstruction period, people in the slaveholding states continued to murder, rape, and otherwise oppress the freed slaves and their descendants for another hundred years until they were forced by Federal laws and courts against their will to exercise their racism in less obvious ways, voting being just one.

(…)

In a way mainstream media outlets who promote a false equivalency between the two parties by failing to note at the very least the neo-racist supporters of the Republican Party are themselves complicit in the charade that the GOP is a morally legitimate entity.

This article is just too bloody quotable! And its serves as a great basis for a Newsroom episode…

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“The crux of the matter is simple: Around half of Twitter users are using the service as a supersimplified RSS reader, not as a mechanism for broadcasting their own thoughts to an uncaring world. Since the company wants to grow — and wants to continue to grow more mainstream — it’s in its best interests to make Twitter the simplest, best RSS reader anyone could ask for.”

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fuckyeahpubliciotarios:

Isso é um protesto.

Isso se aplica também ao jornalismo, e basicamente qualquer setor afetado pela desregulamentação do trabalho. Agora também ajudaria se nós, tanto publicitários quanto jornalistas, parássemos de vender esse sistema e essa lógica maluca em que vivemos. But then we’d be out of a job, wouldn’t we?

fuckyeahpubliciotarios:

Isso é um protesto.

Isso se aplica também ao jornalismo, e basicamente qualquer setor afetado pela desregulamentação do trabalho. Agora também ajudaria se nós, tanto publicitários quanto jornalistas, parássemos de vender esse sistema e essa lógica maluca em que vivemos. But then we’d be out of a job, wouldn’t we?

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Imprensa é perseguida pelo governo, dizem jornais - mas E OS JORNALISTAS?

É sério, eu não estou eximindo culpa de ninguém - nem do governo argentino, nem do brasileiro, nem do venezuelano. Mas eu estou DE SACO CHEIO de ser usada pelos donos dos jornais, e por reacionários defensores de uma suposta “liberdade de imprensa”, pra reclamarem de “censura”. A última é do @estadao de hoje, como sempre: Imprensa argentina é perseguida pelo governo, diz relatório.

Associação de Entidades Jornalísticas Argentinas (Adepa) sustenta que, embora os jornalistas argentinos “formalmente possam dizer o que pensam, quem faz isso fica exposto à represália e à perseguição”. Nos últimos anos associações jornalísticas reclamaram de grampos telefônicos aos jornalistas, redução drástica (ou eliminação completa) da publicidade oficial aos meios de comunicação não alinhados com a presidente Cristina Kirchner, piquetes de sindicatos aliados do governo nas portas das gráficas dos jornais para impedir a saída de exemplares (com a omissão da Polícia), além de blitze sem justificativas da Afip, a Receita Federal argentina. Organizações sociais vinculadas à presidente realizaram “tribunais populares” com simulacros de julgamentos de jornalistas não alinhados com o governo.

Peraí! Jornalista quase nunca pode dizer o que pensa em qualquer democracia - vide as diversas demissões de jornalistas por terem comentado coisas que não agradaram aos chefes no Twitter pessoal. Quem fala o que pensa, e fala bastante, mesmo com as intimidações do governo (senão nem ficaríamos sabendo) são os jornais.

Agora, as intimidações descritas acima como prova de censura na Argentina são foda. Redução na publicidade?! Vcs acusariam a Odebrecht de censura se eles parassem de financiar o jornal com seus anúncios bilionários? (Mas claro, a Odebrecht nunca faria isso porque vcs estão perfeitamente alinhados com os interesses deles - vai perguntar pra qualquer veículo que denuncia as falcatruas das empreiteiras se eles ganham publicidade da Odebrecht.) Ataques de organizações sociais vinculadas ao governo?! E existe alguma organização social que não concorde com os jornais que não seja considerada pelos jornais como vinculada ao governo? No Brasil, eu conheço muitas que são críticas ferrenhas do governo Lula, mas nas raras vezes que aparecem no jornal são apontadas como “vinculadas ao governo” porque concordam com uma ala minoritária do PT que defende a regulação social da mídia - que nunca foi e provavelmente nunca será implementada nesse país (não se preocupem) por causa do forte lobby dos jornais, mesmo com vários pontos sendo previstos na Constituição.

Agora, Estadão, me conte a história do pesado financiamento que o Clarín obteve do governo argentino quando estava quase falindo. O jornal tem problemas fiscais - mas concordo que uma blitz da Receita, mesmo que justificada, seja intimidação. Mas isso não impediu o Clarín de continuar criticando o governo. Assim como grampos telefônicos, que não precisam vir necessariamente de ordens de cima, ou até de dentro do governo. Como vimos na Inglaterra, quem faz o grampo pode até ser mesmo um jornal!

Mas eu concordo com seu último argumento de uma “perseguição” do governo argentino aos jornais, escondido no final do texto: 

O governo da presidente Cristina Kirchner está retomando os movimentos no Congresso Nacional para, nos próximos meses, aprovar um projeto de lei elaborado no ano passado que declara que a produção, distribuição e comercialização de papel de jornal seja declarado de “interesse público”.

Viu? Eu não sou cri-cri, aceito uma tese com argumentos. Só me faça o favor e tire meu nome disso. Não é o jornalista que está sendo perseguido, é o jornal. Se vc quer falar do jornalista, entrevista o sindicato, não a associação dos jornais.

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Se você analisar eles [Veja, imprensa] fracassaram na questão da separação da Dilma, de dividir a base dela, entendeu? De tirar o PMDB e o PR da base. E para piorar, para eles, o PV acabou decidindo apoiar a Dilma. Além de o Fernando Henrique e o Aécio terem feito este gesto de estender a mão, sem entrar no mérito da divisão do PSDB, com o Álvaro Dias e o Serra se posicionando contra.

O resultado final disso tudo é que a estratégia de rachar a base do governo não deu certo.

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— (sem julgar o mérito) José Dirceu em entrevista à Revista Fórum

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One of the issues some critics have with the explosion of “democratized media” is brought up by The Economist in its piece on transparency as a replacement for objectivity (an idea described by David Weinberger, co-author of The Cluetrain Manifesto, and also promoted by new-media analysts such as Jeff Jarvis). Because there are so many sources of information now, many media outlets seem to be moving towards a more opinionated approach to the news — the so-called “Foxification” effect. The magazine argues that this is ultimately a good thing, provided media entities disclose their biases and opinions up front, so that readers can make their own decisions about whom to believe.

Whether we like it or not — and whether traditional media can figure out a way to take advantage of it or not — The Economist is right when it says we have in many ways returned to the coffeehouse era of the early 19th century, when all news was social and most of it was opinionated. And while some worry that media consumers are going to get caught in an “echo chamber” and filter out any opinions they disagree with (something author Eli Pariser argues in his book The Filter Bubble), the main benefit that we have over our counterparts in the 19th century is we have hundreds or even thousands of different sources and voices at our fingertips, if we want to make use of them.

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Back to the future: Is media returning to the 19th century?

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São a cada dia mais frequentes as referências à necessidade dos profissionais descerem do pedestal para se colocar em pé de igualdade com o público – o que significa que o jornalista não seria mais um observador distante, mas um participante, embora não necessariamente engajado no ativismo político-partidário. Não existe e nem nunca existiu um jornalista que fosse imune à influência do meio em que vive ou onde exerce a sua atividade. A imparcialidade absoluta é uma figura retórica.

O problema é o grau de abertura do profissional à realidade que o cerca. Cresce o número de jornalistas que acham que a opinião faz parte de seu trabalho, o que está certo no abstrato mas pode não funcionar na realidade concreta. Todos nós temos a nossa história, cultura, nível de informação e vivências sociais. Isso influencia nossa maneira de viver e ver o mundo, fazendo com que um brasileiro seja diferente de um africano, de um árabe ou de um asiático, o que inevitavelmente acabará se refletindo na forma como pratica o jornalismo.

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Carlos Castilho, O jornalismo “do bem”

via @observatorio