Sunday, August 18, 2013

“Não há violência no Black Bloc. Há performance”

E pode vir discutir comigo se discordar (nem eu concordo com tudo, mas acho válido): http://www.cartacapital.com.br/sociedade/201cnao-ha-violencia-no-black-bloc-ha-performance201d-9710.html

Veja, a estratégia Black Bloc é uma estratégia performática antes de tudo. E com alto valor simbólico. Não se trata de depredar pelo simples prazer ou alegria de quebrar ou pichar coisas. Trata-se de atacar o símbolo que existe representado naquele local ou objeto físico.

(…)

A imprensa vem tentando fazer uma diferenciação entre manifestantes pacíficos e violentos. O que acha dessa tentativa de dividir em duas categorias os que estão nos protestos?

Acho ridículo. Primeiro porque essa diferenciação não é fixa. Existem manifestantes, muitos aliás, que transitam entre os ditos “pacíficos” e os “violentos” dependendo das estratégias, do ato, do grupo de afinidade e da situação. Usar de ações direta não é uma invalidação de outras estratégias. Todas são válidas, e é essa multiplicidade que nos confere força.

E segundo porque a noção de “Violência” é completamente deturpada. As ações de vandalismo e depredação não podem ser consideradas violentes simplesmente porque não são ataques contra pessoas, mas sim contra coisas. A palavra “violência” carrega uma ideologia de discurso preconceituosa e irracional e é usada para desqualificar as ações diretas a priori.

Sobre representação política:

Sinto-me “representado” por diversos coletivos ligados a movimentos sociais, como o MPL (Movimento Passe Livre), o DAR (Desentorpecendo A Razão), o CMI (Centro de Mídia Independente), a Marcha das Vadias etc. Existem outros que apoio fortemente, apesar de não poder dizer que me sinto representado porque isso seria hipocrisia: não é o meu perfil que eles querem (e devem) representar. Como exemplo, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto).

Não me sinto representado por nenhum partido político. Veja que a conotação de “representação” aqui é outra. Não me sinto representado por partidos porque não sou a favor de uma democracia representativa, mas sim de uma democracia direta. A forma como os partidos políticos estão configurados atualmente serve apenas dentro da lógica da democracia representativa.

(…)

As ações diretas não invalidam o diálogo por vias institucionais. Quando atacamos uma agência bancária, por exemplo, não somos loucos ou ingênuos de acreditar que estamos ajudando a falir um banco. Mas nós estamos sim ajudando a tornar evidente o clima de instabilidade política e a insanidade da nossa sociedade capitalista.

As táticas Black Bloc são uma demonstração do poder que já existe nas mãos da população, e esse poder é normalmente desconsiderado pela simples existência das chamadas “vias institucionais”. Quando atuamos com ação direta, queremos também chamar atenção a isso, a essa multiplicidade de caminhos para atender as reivindicações sociais e à ineficiência de se utilizar apenas um, especialmente um que é viciado pelo próprio sistema onde está inserido. Queremos demonstrar que política também se faz com as próprias mãos.

Não queremos afirmar que as ações diretas nas ruas podem trazer mais mudanças que esses processos, mas sim que as ações diretas nas ruas podem trazer mudanças A esses processos. É mais pressão, mais autonomia.

Sobre máscaras e anonimidade (de outra entrevista):

O gesto de invisibilidade - a cobertura do rosto e da ocultação de identidade, que eu mencionei antes - é mais do que simplesmente uma medida de contravigilância, é também uma recusa de toda a ideia da identidade e da representação política, que até agora tem sido preponderante.

Sunday, August 4, 2013

Pixo Ergo Sum

Saturday, July 20, 2013

Quer saber? Sou a favor do vandalismo sim!

Como disse Mário Magalhães e tantos outros:

Na Maré, o grosso do jornalismo não informou nem a identidade dos mortos, com exceção da do PM. No Leblon, os personagens tinham nome, sobrenome e lágrimas de quem perdeu alguns bens. Na favela, o pranto das mães que perderam seus rebentos quase não saiu no jornal.

A cúpula da segurança do Estado convocou uma reunião de emergência horas depois de os vândalos detonarem no Leblon. Alguém sabe de um encontro dessa natureza para tratar do morticínio na Maré?

(…)

As agências bancárias com vidros estilhaçados e as butiques dilapidadas costumam estar protegidas por seguros. Que seguro haveria de confortar os irmãos do pessoal morto na Maré?

(…)

Merece respeito o sofrimento de tantos antigos vizinhos meus que se assustaram com o pega pra capar. Mas a vida seguiu. Na Maré, para tantos pais, a vida seguiu sem seus filhos.

(…)

O recado das últimas semanas é que, para muita gente, crime contra a vida não é nada diante de crime contra o patrimônio.

Isso não é só covardia. É barbárie.

Porque o que aconteceu no Leblon é tão legítimo quanto os Black Blocs da Espanha ou do Egito.

Porque é muito fácil esconder a sujeira debaixo do tapete quando o vandalismo é maior violência que você sofre. E que continue assim, porque você tem sorte. Todos nós temos.

Saturday, June 29, 2013

Mais sobre a relação entre protestos e vandalismo:

Eugênio Bucci começou bem, apesar de sentir a necessidade de condenar o vandalismo a cada 5 linhas:

Há algo além de arruaça gratuita no vandalismo desgovernado. Também aí existem signos em enfrentamento, e esses signos podem nos mostrar um pouco mais do que está em jogo.

O alvo das explosões de violência são instalações que representam o poder, são os símbolos da ordem posta: as sedes do Executivo, os ônibus urbanos, os capacetes da Tropa de Choque. Ao que o leitor se há de perguntar: “Mas, e os automóveis das emissoras de TV, que também são vítimas da selvageria, são do mesmo modo signos do poder?”.

Pô Bucci, sério? Um cara como você que estudou a mídia sua vida inteira, não reconhece isso? Como bem disse Marcelo Coelho mais cedo essa semana

A “crise de representação” que se verifica no caso de partidos e Congresso se reflete nas relações entre imprensa e cidadãos.

Depois desse deslize, ele ainda consegue levantar um ponto importante:

Para começar, não idealizemos, não mistifiquemos o caráter pacífico de um levante popular dessas proporções. Ele é, sim, pacífico, mas não vem vacinado contra desvios de indisciplina e de agressividade. Se até em jogos de futebol as torcidas - quando não os próprios atletas - saem de controle e partem para a pancadaria, não haveria por que ser diferente com as manifestações de massa. O que chama a atenção, agora, é que os vândalos das passeatas, diferentemente dos vândalos dos estádios, não desferem agressões a esmo, em torcidas rivais diversificadas. Têm clareza total, ou quase total, sobre quem é o inimigo: o governo, as autoridades, o poder. Sejam pacíficos, sejam violentos, sejam calmos, sejam enfurecidos, os que protestam nas ruas sabem muito bem quem querem nocautear. Podem não ter muita unidade quanto às palavras de ordem, podem não ter líderes estáveis, fixos, mas, quanto ao inimigo, são unânimes. Por isso, o sentido (linguístico, semiológico) dessa revolta é eloquente: os signos do poder estão sendo, simbólica e fisicamente, engrouvinhados, pisoteados, estilhaçados pelos protestos.

Há vândalos nas ruas? Milhares. Os que assaltam lojas de eletrônicos na ressaca das manifestações são vândalos meliantes. Os policiais que atiram em gente quieta e indefesa são vândalos fardados. Os que aceleram suas SUVs caríssimas contra manifestantes que pedem melhor transporte público são vândalos letais. Mas os mais nefastos, os mais mortíferos entre todos os vândalos agem longe das ruas. Usam terno e gravata. Respiram ar-condicionado. Roubam sonhos, direitos e dinheiro dos trabalhadores. Subornam os movimentos sociais. Depredam a autoestima da Nação. Humilham a gente. Depois, sorriem engomados e fazem anúncios mirabolantes, como se não fossem os responsáveis pelo derretimento dos signos do poder.

Só mais um ressalva: muito fácil apontar pro engomado de terno e gravata. Difícil é se reconhecer nele. E isso também é preciso.

Monday, July 23, 2012 Sunday, April 29, 2012

thefuckisback:

my thoughts exactly (except in São Paulo it’s usually some form of puke-coloured grey that never matches the original grey on the wall…)

Thursday, June 23, 2011
Friday, April 22, 2011
nevver:

Indeed
Friday, November 5, 2010
Possible new tattoo. I know it’s a bit of a cliche, maaaaaas…

Possible new tattoo. I know it’s a bit of a cliche, maaaaaas…