Sunday, April 20, 2014 Sunday, August 4, 2013
Não se pode dizer que alguém é do grupo Black Bloc, já que se trata de uma estratégia de ação. Ainda que seja adepta da violência nas manifestações, a pessoa pode variar suas atitude conforme a situação. As ações nas ruas podem ser de resistência e pacifistas, conforme a necessidade. O integrante de um coletivo, por exemplo, pode usar essas diferentes formas de ação de acordo com o protesto. Não há repressão na Parada Gay, por exemplo. Por isso, nunca haverá Black Blocs nesse evento.

explica um integrante do coletivo Desentorpecendo a razão, que pediu para não se identificar. — Black Blocs já se articulam em 23 Estados do País e promovem ‘badernaço’ para o 7 de Setembro

"depredação não é violência, mas uma intervenção simbólica que atinge o cerne do capitalismo: a proteção à propriedade"

Só não sei se concordo com a afirmação do professor da GV que diz que são jovens da periferia - não necessariamente.

EDIT - Pablo Ortellado esclarece sua entrevista à matéria: https://www.facebook.com/ortelladopablo/posts/561931233872454

Saturday, June 29, 2013

Mais sobre a relação entre protestos e vandalismo:

Eugênio Bucci começou bem, apesar de sentir a necessidade de condenar o vandalismo a cada 5 linhas:

Há algo além de arruaça gratuita no vandalismo desgovernado. Também aí existem signos em enfrentamento, e esses signos podem nos mostrar um pouco mais do que está em jogo.

O alvo das explosões de violência são instalações que representam o poder, são os símbolos da ordem posta: as sedes do Executivo, os ônibus urbanos, os capacetes da Tropa de Choque. Ao que o leitor se há de perguntar: “Mas, e os automóveis das emissoras de TV, que também são vítimas da selvageria, são do mesmo modo signos do poder?”.

Pô Bucci, sério? Um cara como você que estudou a mídia sua vida inteira, não reconhece isso? Como bem disse Marcelo Coelho mais cedo essa semana

A “crise de representação” que se verifica no caso de partidos e Congresso se reflete nas relações entre imprensa e cidadãos.

Depois desse deslize, ele ainda consegue levantar um ponto importante:

Para começar, não idealizemos, não mistifiquemos o caráter pacífico de um levante popular dessas proporções. Ele é, sim, pacífico, mas não vem vacinado contra desvios de indisciplina e de agressividade. Se até em jogos de futebol as torcidas - quando não os próprios atletas - saem de controle e partem para a pancadaria, não haveria por que ser diferente com as manifestações de massa. O que chama a atenção, agora, é que os vândalos das passeatas, diferentemente dos vândalos dos estádios, não desferem agressões a esmo, em torcidas rivais diversificadas. Têm clareza total, ou quase total, sobre quem é o inimigo: o governo, as autoridades, o poder. Sejam pacíficos, sejam violentos, sejam calmos, sejam enfurecidos, os que protestam nas ruas sabem muito bem quem querem nocautear. Podem não ter muita unidade quanto às palavras de ordem, podem não ter líderes estáveis, fixos, mas, quanto ao inimigo, são unânimes. Por isso, o sentido (linguístico, semiológico) dessa revolta é eloquente: os signos do poder estão sendo, simbólica e fisicamente, engrouvinhados, pisoteados, estilhaçados pelos protestos.

Há vândalos nas ruas? Milhares. Os que assaltam lojas de eletrônicos na ressaca das manifestações são vândalos meliantes. Os policiais que atiram em gente quieta e indefesa são vândalos fardados. Os que aceleram suas SUVs caríssimas contra manifestantes que pedem melhor transporte público são vândalos letais. Mas os mais nefastos, os mais mortíferos entre todos os vândalos agem longe das ruas. Usam terno e gravata. Respiram ar-condicionado. Roubam sonhos, direitos e dinheiro dos trabalhadores. Subornam os movimentos sociais. Depredam a autoestima da Nação. Humilham a gente. Depois, sorriem engomados e fazem anúncios mirabolantes, como se não fossem os responsáveis pelo derretimento dos signos do poder.

Só mais um ressalva: muito fácil apontar pro engomado de terno e gravata. Difícil é se reconhecer nele. E isso também é preciso.

Wednesday, June 26, 2013

A vez da mídia

MARCELO COELHO

A vez da mídia

Se o pensador mais ousado da Globo se chama Arnaldo Jabor, talvez seja momento de uma autocrítica

Partidos, Congresso, sindicatos, governantes —não há instituição democrática que não esteja sob o foco de críticas. Falta falar de outra instituição, a imprensa. Ou “a mídia”, como prefere dizer quem já se põe no campo de ataque.

Acho que há três pontos a destacar. Em primeiro lugar, a ideia de que as redes sociais, como o Facebook, aposentaram a mídia tradicional. De um ponto vista, faz sentido. De outro, não.

Claro que, graças ao Facebook, foi possível avaliar, por exemplo, se valeria ou não a pena participar da manifestação de segunda-feira passada, dia 17 de junho. Quanto mais adeptos no mundo virtual, mais se sente que o momento de passar à vida real já chegou.

Não é tão claro o raciocínio de que, com as redes, elimina-se a função dos jornais e das empresas de comunicação. Muito do que se compartilha no Facebook, em termos de notícia e opinião política, tem origem nos órgãos jornalísticos organizados, sejam impressos, audiovisuais ou da própria internet.

Passo com isso ao segundo ponto. Quem está protestando contra o pastor Feliciano, a PEC 37, Renan Calheiros, os gastos da Copa, e outros mil problemas, teve sua indignação despertada pelas notícias dos jornais e da TV.

São as reportagens de sempre, com sua rotina de sempre, que acumularam essa insatisfação contra o sistema político. E, se a mídia noticiou os casos de vandalismo, também foram indispensáveis para mostrar os abusos policiais.

A imprensa sai então glorificada dessas movimentações? Com toda evidência, não. Houve ataques contra emissoras de TV e contra repórteres respeitabilíssimos, como Caco Barcellos. Há mais.

Acredito que, graças à conquista de um poder de autoexpressão possibilitado pela internet, as pessoas que se manifestam nas ruas e nas redes se sentem mal representadas na mídia tradicional.

Em parte, a “crise de representação” que se verifica no caso de partidos e Congresso se reflete nas relações entre imprensa e cidadãos.

Existe a sensação, claro, de uma desigualdade de poder de fogo: grandes empresas de comunicação podem mais do que sites e blogs isolados.

Há também um abismo geracional. Incluo-me entre os que envelheceram. E olhe que à minha volta, nos chamados formadores de opinião, nos analistas, comentaristas, sociólogos, filósofos, urbanistas, técnicos e economistas que, sempre os mesmos, são os entrevistados nessa época, a maioria está na ativa desde que eu era criança…

Quando o pensador mais ousado e “irreverente” da Globo se chama Arnaldo Jabor, talvez seja o momento de uma autocrítica.

A alienação, o distanciamento entre a imprensa e os manifestantes se dá em outros níveis também. Ao voltarem-se contra governantes, as passeatas denunciam o contraste entre o mundo oficial, movido a discursos eleitorais, planilhas técnicas e blá-blá-blá de marqueteiros, e uma realidade cotidiana da qual todos se esquecem assim que assumem o poder.

É injusto dizer que um jornal como a Folha se esquece de apontar falhas na saúde, nos transportes e na educação. Ao contrário, isso é noticiado todo dia, com investigação e detalhe.

Mas, assim como os políticos só parecem acordar para o interesse público às vésperas da eleição, também os jornais concentram-se excessivamente, a meu ver, no calendário eleitoral. Não há dia —mesmo nestas últimas semanas— em que não saiam notícias sobre as movimentações de Aécio e Eduardo Campos, ao lado dos clássicos prognósticos de que Dilma vai se reeleger se a economia não piorar muito.

A rotina desse tipo de cobertura mata os jornais, e interessa a pouquíssimas pessoas. As próprias reportagens sobre corrupção e mazelas administrativas me parecem difíceis, chatíssimas de ler.

Há a obrigação de revelar dados, estatísticas etc., sem o que estaríamos retrocedendo a um jornalismo da Idade da Pedra. Ao mesmo tempo, acho que isso trouxe um risco de rotinização e tecnicalismo que afasta o leitor —e não adianta “emburrecer” a linguagem para trazê-lo de volta.

Chamo “emburrecer” o processo que leva à elaboração de boxes, por exemplo, dizendo “entenda o que é o mensalão”, “entenda o que é reforma política” ou coisa parecida. “Entenda, é sua última chance”…. Mas os manifestantes destes dias parecem estar entendendo mais do que se pensa.

(Source: www1.folha.uol.com.br)

Monday, June 17, 2013
As pessoas conseguem se unir para uma ação pontual, com interesse específico e efêmero, mas não construir projetos consensuais. Isso ocorre porque a relação de consumo se tornou a relação matricial da nossa sociedade. Quando você compra um produto, está desinteressado de todo o longo processo que o levou às suas mãos, envolvendo escolhas, sacrifícios de pessoas, etc. E assim que aquilo satisfaz sua necessidade imediata, você o descarta sem preocupar também com consequências. De certa maneira, há uma relação de consumo com a política hoje. As pessoas estão consumindo política, não produzindo política. Elas não se envolvem nos processos de negociação, nem têm participação efetiva nas tomadas de decisão. Quando vem um resultado - um produto - que elas não gostam, reclamam com enorme intensidade. Mas depois, na hora de construir, que é muito mais difícil, pois pressupõe articulação de interesses diferentes, não conseguem avançar.

Estadão - Caderno Aliás - Em trânsito

Na verdade, o resto da entrevista é meio babaca (o cara chama ‘flash mob’ de ‘instant mob’), mas achei interessante esse conceito de “consumir política”. Não sei se concordo que é isso que esteja acontecendo agora, embora exista o fator ‘modinha’ em alguns casos…

Wednesday, May 1, 2013 Sunday, October 14, 2012 Thursday, September 13, 2012

We have got to stop ASSUMING others want our help

Walking to work today, I saw something unexpected: a man tried to offer money to a homeless women, and was promptly refused. (It’s always amusing to see the look on people’s faces when this happens - a mixture of surprise and offense: “How dare you not accept my charity?!”) I can’t guess what goes on in that woman’s mind, and I won’t make a poetic attempt to do so, but I couldn’t ignore the fact that she was sitting next to the leftovers of her McDonald’s breakfast - don’t want to judge, but don’t know what to make of that.

Anyways, that reminded me of watching The Newsroom yesterday and how Will McAvoy, as part of his quest to civilize the world, bullies a black, gay interviewee for supporting GOP presidential-hopeful Rick Santorum in that typically smug way we all have - admit it, you do it too - of assuming we know what’s best for “those less fortunate” and that we militants have to protect the minorities we fight for.

And I’m not just talking about the P.C. left here. The right also has its screwed up, self-righteous notions of charity that are equally patronizing - the only difference is that they believe private initiative should do the protecting whereas the left portrays it as a civil right. Then again, maybe I’m just letting my critical thinking be too influenced by the black-and-white worldview of American politics (which is in itself based on the belief that it is “America’s” duty to civilize others as "leader of the free world", but that’s a subject for another post - recommended reading in the meantime: Democracy Kills).

I was going to expand and suggest a change in attitude, but I started using expressions like “self-determination”, so that put me off.

But I’d love to hear people’s views on The Newsroom. The jury’s still out for me on how much the Hollywood glamourization and the American self-righteousness of it bother me…

Tuesday, February 28, 2012

thedailywhat:

TV Show Promo of the Day: First official trailer for HBO’s Veep — Armando Iannucci’s follow-up to his critically acclaimed political sitcom The Thick of It.

Originally developed by Arrested Development creator Mitch Hurwitz and writer Richard Day, the show stars Julia Louis-Dreyfus in the lead role alongside Anna Chlumsky, Tony Hale, Matt Walsh, Andy Buckley, and Reid Scott.

The first episode is set to premiere Sunday, April 22nd.

[popculturebrain / gregrutter.]